Hospitais do SNS gastam 627 milhões em cirurgias adicionais

Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) desembolsaram mais de 627 milhões de euros em cirurgias adicionais, uma medida adotada para enfrentar o problema das longas listas de espera. Este valor, que representa um aumento de 51% entre 2022 e 2024, foi revelado pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) em um recente relatório.

A IGAS iniciou auditorias em 39 unidades locais de saúde (ULS) e três institutos de oncologia (IPO) para avaliar a prática de cirurgias realizadas fora do horário normal de trabalho. Antes de iniciar essas auditorias, a IGAS fez um levantamento para entender se as cirurgias adicionais eram uma solução excepcional ou se estavam sendo utilizadas de maneira recorrente.

Durante o período analisado, o total gasto com cirurgias adicionais nas entidades auditadas alcançou 627.337.595 euros. A IGAS destacou que, embora essas cirurgias sejam consideradas uma medida complementar à atividade regular, elas estão sendo utilizadas de forma sistemática para garantir o acesso a cuidados de saúde.

Das 42 entidades avaliadas, apenas as ULS da Guarda e Loures-Odivelas não realizaram contratações internas para serviços de especialidades. A IGAS observou que o modelo de contratações não é uniforme entre os hospitais. Em cerca de 70% das instituições, as cirurgias adicionais representam 30% ou mais da produção total, evidenciando a dependência desse recurso para atender às demandas de saúde não satisfeitas.

Particularmente nas ULS Amadora-Sintra, Trás-os-Montes e Alto Douro e de Castelo Branco, as cirurgias adicionais superam 50% da produção total, indicando que a atividade extra é maior do que a regular. As dez unidades de saúde com maior volume de produção adicional correspondem a 48% do total gasto em cirurgias entre 2022 e o primeiro trimestre de 2025.

As áreas de ortopedia e oftalmologia são as que mais contribuem para os gastos, representando 26% e 21%, respectivamente. A IGAS ressaltou que as mudanças nas normas que regulam o pagamento das cirurgias adicionais refletem a importância deste recurso para melhorar o acesso aos cuidados de saúde.

Essas alterações introduziram critérios mais rigorosos e metas assistenciais obrigatórias, promovendo uma gestão mais eficaz e transparente. A IGAS também enfatizou que isso fortaleceu a responsabilidade dos conselhos de administração dos hospitais, que agora têm um papel mais ativo no planejamento e monitoramento dos resultados.

Embora os resultados das auditorias não tenham gerado recomendações formais, eles visam aumentar o conhecimento sobre a situação e estabelecer um cronograma para futuras auditorias. Em uma iniciativa recente, o Governo aprovou a criação do novo Sistema Nacional de Acesso a Consultas e Cirurgias (SINACC), que substituirá o antigo Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), criado em 2004. Essa nova plataforma permitirá identificar anomalias, como preços inesperados para cirurgias e o crescimento das listas de espera em determinados hospitais.

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Fonte: Sapo

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